A confiança é essencial para o bem-estar. Eis cinco formas de melhorar a sua

 

Toda a gente já os encontrou: pessoas que parecem saber sempre o que estão a fazer. Assumem de bom grado o controlo de uma situação, exprimem as suas opiniões como se fossem factos comprovados ou mergulham num projeto acreditando que vão ser bem sucedidas – com ou sem a experiência necessária.

Que pó mágico foi polvilhado nos seus cereais de pequeno almoço delas para lhes dar este superpoder?

“Creio que a confiança é provavelmente o recurso mais importante para o bem-estar e o desempenho humanos”, disse recentemente o neurocientista e psicólogo Ian Robertson ao correspondente médico chefe da CNN, Sanjay Gupta, no seu podcast Chasing Life.

Robertson é professor emérito de psicologia e co-diretor do Global Brain Health Institute do Trinity College de Dublin, na Irlanda, e presidente do T. Boone Pickens Distinguished Chair do Center for BrainHealth da Universidade do Texas em Dallas.

“A confiança é uma crença com duas vertentes”, afirma Robertson, autor de ”How Confidence Works: The New Science of Self-Belief”.

“É a crença de que se pode fazer alguma coisa, e é a crença de que, se se fizer essa coisa, receber-se-á uma recompensa ou obter-se-á o resultado que se deseja.”

Quando nos sentimos confiantes, temos mais probabilidades de ser bem sucedidos porque a confiança ativa os circuitos cerebrais que produzem um estado de espírito elevado, uma menor ansiedade e um pensamento mais aguçado – tudo isto aumenta as probabilidades de sucesso, diz Robertson. Estes são os mesmos circuitos cerebrais que são ativados quando se tem êxito. Por isso, ter confiança ou sucesso, mesmo numa pequena tarefa, leva ao sucesso e consequentemente a ainda mais confiança.

“A maior fonte de sucesso é o sucesso”, refere Robertson. “E o sucesso, tal como a confiança, atua como os juros compostos: é exponencial. Um pouco cresce constantemente.”

Se a confiança está num extremo do espectro, a ansiedade está no outro extremo, adianta Robertson.

“Se nos falta a confiança, se achamos que não somos capazes de fazer uma dada coisa, isso gera ansiedade devido à perspetiva de fracasso”, afirma. “A maior fonte de ansiedade é o medo da avaliação negativa de outras pessoas, e quase toda a ansiedade tem a ver com outras pessoas.”

Além disso, a ansiedade ativa circuitos que perturbam “a sincronização fluida de diferentes regiões cerebrais que são críticas para o desempenho de elite ou de topo”, observa.

Investigações demonstram que as pessoas que são cronicamente ansiosas fazem menos de tudo, diz Robertson.

“Fazem menos […] socialmente, fazem menos no trabalho, fazem menos em passatempos e interesses”, aponta. “Porque os seus cérebros estão preparados para uma mentalidade de ameaça, em que estão a antecipar e a concentrar a sua atenção em potenciais resultados negativos e ameaças. E isso inibe os sistemas do cérebro que fazem o oposto com a confiança.”

Robertson dá como exemplo duas raparigas de 5 anos: são igualmente inteligentes e capazes, mas uma tem um pouco mais de confiança do que a outra.

“Essa ligeira diferença de confiança significa que essa menina tem mais probabilidades de tentar algo novo. Uma pequena coisa: fazer uma pergunta, [ter] menos medo de cometer um erro”, diz ele. “E isso resultará mais provavelmente num pequeno sucesso. Isso significa que é mais provável que ela dê o passo seguinte. E quando estas duas raparigas têm 25 anos, há um fosso enorme no seu desempenho e no seu bem-estar devido à natureza exponencial da matemática da confiança.”

Nem tudo está perdido se não tiver nascido cheio de confiança. Eis cinco dicas avançadas por Robertson para aumentar a confiança, mesmo em circunstâncias difíceis.

Tome medidas

Tomar medidas para fazer alguma coisa e depois fazê-la (independentemente de quão inseguro se sinta) resultará numa explosão de confiança.

“A confiança está ligada aos sistemas de ação do cérebro”, afirma Robertson. “O grande poeta persa Rumi disse que o caminho só aparece com o primeiro passo. E as pessoas que não têm confiança e têm ansiedade tendem a não agir porque vêem uma 'ameaça'.”

Tomar uma atitude, apesar de se sentir ansioso, é muito importante para construir confiança, indica Roberston. 

Escolha cuidadosamente onde foca a atenção

Aquilo a que prestamos atenção determina o nosso estado emocional, por isso escolhemos sabiamente, refere Robertson.

“Se estiver a dar uma palestra a um grupo de pessoas e houver algumas pessoas a falar ao telemóvel ou a franzir o sobrolho, a sua atenção irá fixar-se nelas porque [...] é isso que fazemos quando nos sentimos ameaçados”, diz Robertson.

“No entanto, se escolhermos deliberadamente prestar atenção à maioria das pessoas, ou a uma pessoa que parece interessada na fila da frente e que está a sorrir [...] alimentaremos o nosso cérebro com pensamentos e imagens positivas que nos ajudarão a recordar sucessos passados em vez de fracassos passados.”

Segundo Robertson, ser intencional desta forma não só reduzirá a sua ansiedade e diminuirá o esforço que tem de investir na tarefa, como também aumentará a sua confiança.

Adote uma mentalidade de crescimento

A sua atitude em relação a si próprio e às suas capacidades pode fazer a diferença.

“É preciso acreditar que a mudança é possível”, afirma Robertson. As pessoas com uma mentalidade de “crescimento” acreditam que, com esforço, podem adquirir capacidades e cultivar talentos; já as pessoas com uma mentalidade “fixa”, pelo contrário, acreditam que os talentos e as capacidades são inatos – ou se tem ou não se tem.

“Se tivermos uma mentalidade fixa – ou seja, se acreditarmos que as nossas capacidades ou emoções são determinadas pela genética ou por hereditariedade – então não nos vamos envolver [...] nos lentos altos e baixos que a aprendizagem implica”, afirma Robertson. “É possível aprender a ser mais confiante – mas não se nos paralisarmos com uma mentalidade fixa.”

As teorias fixas sobre nós próprios estão “sempre erradas”, porque o cérebro humano é extremamente plástico em todas as idades, explica.

Lide com a sua ansiedade

A ansiedade é corrosiva para a confiança, por isso, encare a ansiedade como entusiasmo.

“É possível controlar a ansiedade não se assustando com ela e não a tratando como uma força alienígena que se aproxima, mas vendo-a como uma forma de energia que pode ser aproveitada”, afirma Robertson. “De facto, os sintomas corporais e cerebrais da ansiedade são idênticos aos da excitação.”

Se for confrontado com uma situação que o faz sentir ansioso, como uma conversa difícil ou uma entrevista de emprego, Robertson recomenda que adote uma mentalidade de “desafio”.

Pode realmente mudar o seu estado de espírito para um de ‘Oh, posso atuar aqui?’, em vez de ‘Oh, vão acontecer coisas terríveis’, diz. “E pode ajudar-se a fazer isso através das palavras que diz a si próprio: 'Estou entusiasmado'.”

Robertson adianta que fazer isso não significa que não se vai sentir nervoso, mas ao usar a linguagem, está a aproveitar uma forma de energia.

Afirme os seus valores

Defina-se a si próprio e àquilo que defende, diz ele.

“Porque quem somos como pessoas tem por base aquilo que defendemos e o que é importante para nós, tem por base aquilo que são os nossos valores”, refere Robertson.

“E se tirarmos uns segundos para escrevermos os nossos valores e a razão pela qual são importantes para nós e o que significam para nós, as provas mostram que o nosso cérebro ficará mais resistente e protegido contra o medo da crítica, da humilhação e do fracasso.”

Por outras palavras, segundo Robertson, ficará protegido da ansiedade destrutiva que corrói a confiança.

Esperamos que estas cinco dicas o ajudem a aumentar a sua confiança. Ouça o episódio completo aqui. E junte-se a nós na próxima semana no podcast Chasing Life quando – na sequência do debate presidencial Trump-Biden – analisarmos o que é um envelhecimento normal.

Eryn Matthewson da CNN Audio contribuiu para este artigo.

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