Ansiedade: O corpo dá sinais e lança os primeiros pedidos de ajuda
A ansiedade não representa apenas uma condição psicológica. A especialista Cátia Silva sublinha a necessidade de sabermos ouvir o nosso corpo e estarmos atentos a todos os sinais. A psicóloga inúmera alguns hábitos diários que devemos começar a ter, independentemente de estarmos ou não a passar por momentos difíceis.

© Shutterstock
Lifestyle
Écomum associar-se a ansiedade e outros problemas como 'burnout' a uma condição psicológica ou a um "problema psíquico". Contudo, a psicóloga Cátia Silva desdobra este conceito e explica que vai além da "cabeça". Os primeiros sinais podem até ser físicos, como sensação constante de cansaço, falta de ar ou apertos no peito.
Dia 10 de outubro, assinala-se o Dia Mundial da Saúde Mental, mas a especialista reforça que este tema deve ser abordado permanentemente.
A psicóloga clínica especializada em Ansiedade, Depressão, Autoestima, Luto, Burnout e PHDA, esclarece que cuidar da mente não é um luxo, é uma necessidade: “Devemos começar por reconhecer os sinais de que algo não está bem: tristeza persistente, irritabilidade, dificuldade em dormir, perda de interesse em atividades que antes davam prazer, ansiedade excessiva, pensamentos negativos repetitivos ou sensação de vazio. Estes sinais merecem atenção e devem ser encarados como um pedido de ajuda do próprio corpo e mente”.
Como cuidar da sua saúde mental no dia a dia?
Dormir bem: O sono é um regulador natural do humor e das emoções. Manter horários regulares e criar uma rotina de descanso ajuda o cérebro a recuperar e a lidar melhor com o stress.
Alimentar o corpo e a mente: Uma alimentação equilibrada influência diretamente o bem-estar psicológico. O consumo excessivo de açúcar e cafeína pode agravar sintomas de ansiedade. Já frutas, vegetais e alimentos ricos em ómega-3 contribuem para uma melhor regulação emocional.
Exercitar o corpo todos os dias: O exercício físico é um antidepressivo natural. Caminhar, dançar, praticar ioga ou simplesmente movimentar o corpo liberta endorfinas e reduz a tensão acumulada.
Criar pausas reais: Vivemos numa cultura que valoriza o “estar sempre a fazer”, mas o descanso não é tempo perdido. É o que permite recarregar energias, pensar com clareza e manter o equilíbrio emocional.
Limitar a comparação e o consumo digital: As redes sociais podem gerar pressão e sentimentos de insuficiência. É importante definir limites e cultivar o contacto real, fora do ecrã.
Falar sobre o que se sente: Guardar tudo para dentro aumenta o sofrimento. Partilhar o que se sente com alguém de confiança, ou procurar acompanhamento psicológico, é um ato de coragem e autocuidado.
Cultivar relações saudáveis: Rodear-se de pessoas que respeitam, escutam e apoiam faz a diferença. O isolamento prolongado alimenta o sofrimento, enquanto o afeto e a empatia protegem a saúde mental.
Pedir ajuda quando necessário: Reconhecer que precisamos de apoio é um sinal de maturidade emocional. Psicólogos e outros profissionais de saúde mental existem para orientar, apoiar e criar estratégias de recuperação.
É urgente olharmos para a saúde mental sem medos e sem preconceitos.Quanto mais cedo reconhecermos sinais de sofrimento, mais eficaz pode ser a intervenção. Torna-se "urgente olharmos para a saúde mental sem medos e sem preconceitos", acrescenta a psicóloga.
A saúde mental não se resume à ausência de doença, mas sim à capacidade de viver com equilíbrio e aprender a lidar com as adversidades, mesmo que com tempos diferentes.


Comentários
Enviar um comentário