Margarida Constantino
Há sempre um ponto na vida em que sentimos necessidade de olhar para dentro. Temos a sensação de desconforto, mesmo que à nossa volta tudo pareça normal. E, ainda assim, continuamos a viver como se não sentíssemos nada. Decidimos ignorar esse desconforto, essa voz interior que quer falar connosco, e continuamos em modo automático. Receamos dar ouvidos à nossa intuição, assusta-nos reconhecer a verdade, sobretudo o que ela exige de nós.
Passamos dias a ocupar a mente com tarefas, distrações, justificações. Criamos ruído para não ouvir o que já está claro. Fingimos que não sentimos, que não percebemos, que não é assim tão importante. Mas no fundo sabemos.
Antes que o admitamos, começamos a ficar mais irritadas, impacientes, temos dificuldade em adormecer, a energia baixa. São sinais que tentamos ignorar, como se ignorar fosse resolver.
Aquilo que evitas não desaparece. Fica ali, à espera do momento em que baixas a guarda.
Descobres então que o problema foi o medo de o assumir. Porque assumir implica escolher. E escolher implica mudar. E mudar mexe com tudo. Posso dizer-te que o que estás a evitar olhar, é precisamente o que te pode libertar. O que queres ignorar e evitas é o sinal de que esse já não é o teu caminho, há outro melhor para ti. Estás a fechar um ciclo para dar lugar a um campo aberto de possibilidades.
Escuta-te, escuta o que diz a tua alma. Olha de frente, percebe o que tens de mudar para seres inteira, integra e senhora de ti.
Um abraço entusiasta
,
Margarida Constantino


Comentários
Enviar um comentário