Cansaço, frio e palpitações: os sinais da tiroide que não deve ignorar

 

Tiroide (Getty Images)© CNN Portugal

Cansaço persistente, sensação de frio fora do habitual, alterações do humor ou palpitações podem ser sinais de doenças da tiroide, uma patologia comum, silenciosa e frequentemente subdiagnosticada.

“Muitas vezes os sintomas são extremamente subtis e por isso é que há subdiagnóstico”, alerta a endocrinologista Joana Menezes Nunes, em entrevista à TVI.

Quando a tiroide funciona de menos, os sinais tendem a ser lentos e pouco específicos.“Quando falamos que a tiroide está lenta, portanto o carro está lento, um cansaço, frio, uma apatia, a pessoa sente-se cansada, tem mais sono, obstipação, pele seca, unhas fracas, cabelo quebradiço, mas quem não no dia-a-dia?”, enumera a especialista.

No extremo oposto, quando a glândula funciona de mais, os sintomas aceleram. Quando temos hipertiroidismo, portanto ela está a funcionar, vai o carro a descer pela ladeira abaixo, a velocidade, irritabilidade, insónia, taquicardia, palpitação, energia, às vezes os doentes passam o dedo na pele e fica vermelho, chama-se dermografismo”, resume a médica, explicando ainda que "hipo é lento, o hiper é rápido".

Segundo a endocrinologista, estes quadros são frequentemente confundidos com stress, depressão ou outras doenças, levando muitos doentes a percorrer várias especialidades sem resposta. Para evitar esse circuito, defende um critério simples. "É obrigatório pedir um exame TSH [para avaliar a função da tireoide]", afirma, acrescentando que uma única análise ao sangue permite, muitas vezes, identificar o problema.

A médica destaca ainda que "as mulheres são três a quatro vezes mais afetadas do que os homens", apontando a história familiar e a presença de doenças autoimunes como fatores de risco.

Também o endocrinologista João Jacobo de Castro alerta para a dimensão do problema, lembrando que centenas de milhares de portugueses poderão ter doença da tiroide sem diagnóstico. O especialista explica que estas patologias se dividem entre alterações da função e alterações da forma, como os nódulos.

O médico concorda que queixas como “mais calor ou mais frio, ganho ou perda de peso, irritabilidade ou depressão, insónias ou sonolência, palpitações, alterações do intestino e queda de cabelo” são frequentemente desvalorizadas, apesar de o diagnóstico ser simples e acessível. “Com duas análises conseguimos fazer o diagnóstico”, afirma.

João Jacobo de Castro sublinha ainda que o tratamento é, na maioria dos casos, eficaz. “O hipotiroidismo é facílimo de tratar e barato. O hipertiroidismo é um pouco mais difícil, mas também se trata”, refere. No caso dos nódulos, recomenda atenção a sinais como aumento do volume do pescoço, rouquidão persistente ou dificuldade em engolir ou respirar, alertando para a importância de não dramatizar situações sem significado clínico.

O especialista lembra ainda que a ansiedade “é um dos inimigos da tiroide”, sublinhando a relação bidirecional entre stress e doença tiroideia: níveis elevados de stress podem contribuir para o aparecimento da doença, e alterações da tiroide podem, por sua vez, agravar a ansiedade.

João Jacobo de Castro lembra ainda que a ansiedade "é um dos inimigos da tiroide" e que há uma relação interessante entre as duas.

"Tiroide a mais, ou seja, hormónios da tiroide a mais, provocam ansiedade, irritabilidade, alterações, depois, de comportamentais e problemas, conflitos no trabalho e na família e tudo mais. E a ansiedade vai gerar, também, um aumento da autoimunidade e vai gerar doença tiroideia. Portanto, as pessoas com mais stress, chamemos-lhe assim, têm mais probabilidade de vir a desenvolver doenças autoimunes da tiroide, nomeadamente hipertiroidismo. Por isso, há ali uma relação nos dois sentidos. Stress a mais pode provocar doença de tiroideia e doença de tiroideia pode provocar stress a mais".

Comentários

Mensagens populares