Há um tipo de cura que não vem em comprimidos, nem em palavras difíceis.
Vem em patas que se aproximam devagar.
Em olhos que não julgam.
Em silêncios partilhados no chão da sala, no sofá, no quintal, ou num banco ao sol.
Os animais curam porque não perguntam.
Não exigem explicações, nem versões editadas de nós próprios.
Aceitam-nos cansados, tristes, distraídos, desalinhados.
E ficam.
Há dias em que ninguém sabe o que dizer-nos, mas um animal sabe exactamente onde deitar a cabeça.
Sabe quando encostar o corpo.
Sabe quando ficar ali, quieto, como se dissesse sem palavras: “estou aqui”.
Eles ensinam-nos a voltar ao essencial.
Ao ritmo certo da respiração.
Ao agora.
Ao gesto simples de fazer uma festa e sentir que, por instantes, o mundo abranda.
Curam-nos porque vivem sem máscaras.
Porque amam sem contabilidade.
Porque ficam mesmo quando não estamos no nosso melhor.
E porque, muitas vezes, são eles que nos salvam sem nunca sabermos ao certo como.
Talvez o maior poder dos animais seja este:
lembram-nos que o amor não precisa de ser explicado para ser real.



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