Novo tratamento contra o cancro atinge 70% de eficácia com menos quimioterapia
Combinação de quimioterapia com duas formas de calor eliminou até 70% das células tumorais em laboratório e pode reduzir a toxicidade dos tratamentos
Uma equipa internacional liderada pelo Instituto de Ciência de Materiais de Madrid desenvolveu um novo tratamento trimodal contra o cancro que combina quimioterapia com duas formas de hipertermia, permitindo reduzir as doses de medicamentos e minimizar a toxicidade.
O estudo, ainda em fase inicial, foi testado em células de cancro da mama fora do organismo humano e alcançou uma taxa de morte celular de até 70% em 72 horas. Os resultados foram publicados na revista científica Advanced NanoBiomed Research.
A investigação, noticiada pela agência Europa Press, descreve pela primeira vez a utilização de um tratamento “trimodal”, que combina três ações simultâneas contra as células tumorais.
Para esta abordagem, os investigadores recorreram à doxorrubicina — um fármaco comum na quimioterapia — associando-a a duas formas distintas de calor: a hipertermia magnética, gerada por um campo magnético, e a radiação infravermelha próxima.
Estas duas fontes de calor potenciam a ação do medicamento, funcionando como uma espécie de “armadilha térmica” que aumenta a eficácia na destruição das células cancerígenas.
“O tratamento permite destruir de forma mais potente as células tumorais, minimizando a toxicidade sistémica”, explicou Ana Espinosa, líder do estudo à agência Lusa.
Segundo a investigadora, as células cancerígenas são particularmente sensíveis ao calor, mas a utilização isolada de cada técnica não permite atingir, com segurança, a temperatura necessária para as eliminar. A combinação das três abordagens permite ultrapassar essa limitação.
De acordo com os resultados, a utilização conjunta de quimioterapia com dois tipos de hipertermia pode reduzir as doses necessárias de doxorrubicina, diminuindo assim os efeitos secundários associados ao tratamento.
O estudo contou ainda com a participação do IMDEA Nanociencia, do Instituto Curie e do Instituto de Cerâmica e Vidro.
Apesar dos resultados promissores, os investigadores sublinham que se trata ainda de uma fase inicial de investigação. No entanto, a nova abordagem “abre uma via terapêutica promissora” que poderá, no futuro, ser aplicada a diferentes tipos de cancro.


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