Cancro do pâncreas: sintomas, fatores de risco e exames que deve conhecer

 É um dos cancros mais difíceis de detetar precocemente, o que reforça a importância de conhecer os sintomas e fatores de risco para identificar sinais de alerta e antecipar o diagnóstico.

Cancro do pâncreas: sintomas, fatores de risco e exames que deve conhecer

É um dos tumores mais silenciosos e com pior prognóstico, em grande parte porque é frequentemente diagnosticado em fases avançadas. O cancro do pâncreas continua a representar um desafio significativo para a medicina, mas conhecer os sinais de alerta e os fatores de risco pode ajudar a antecipar o diagnóstico.

O pâncreas é um órgão localizado na parte superior do abdómen, atrás do estômago, com funções consideradas essenciais na digestão e na regulação dos níveis de açúcar no sangue. Quando surgem alterações nas suas células, pode desenvolver-se um tumor que, na maioria dos casos, evolui de forma discreta e sem sintomas evidentes numa fase inicial.

De acordo com o Registo Oncológico Nacional (RON), os tumores do aparelho digestivo estão entre os mais frequentes em Portugal. O cancro do pâncreas, embora menos comum do que outros tumores digestivos, destaca-se pela elevada taxa de mortalidade, sobretudo devido ao diagnóstico tardio. Os dados do RON mostram que são diagnosticados todos os anos cerca de 1765 novos casos, o que corresponde a uma incidência de 14 tumores em cada 100 mil habitantes.

Sintomas e sinais de alerta

Uma das principais dificuldades deste tipo de cancro é precisamente a ausência de sintomas específicos nas fases iniciais. Quando surgem, podem ser pouco claros ou facilmente confundidos com outras doenças digestivas, mas, ainda assim, há sinais que devem merecer atenção:

  • Dor abdominal persistente, que pode irradiar para as costas
  • Perda de peso inexplicada
  • Icterícia (pele e olhos amarelados), frequentemente associada a tumores na cabeça do pâncreas
  • Alterações digestivas, como fezes claras ou gordurosas
  • Perda de apetite ou sensação de enfartamento rápido

Em alguns casos, o surgimento recente de diabetes com difícil controlo pode também ser um sinal de alerta adicional.

Fatores de risco

Embora não exista uma causa única identificada, há vários fatores que aumentam a probabilidade de desenvolver cancro do pâncreas. Entre os mais relevantes estão:

  • Tabagismo, considerado o principal fator de risco modificável
  • Idade avançada (a maioria dos casos ocorre após os 60 anos)
  • História familiar de cancro do pâncreas ou síndromes genéticas associadas
  • Pancreatite crónica
  • Obesidade e sedentarismo
  • Diabetes

A presença destes fatores não significa que a doença vá desenvolver-se, mas reforça a importância da vigilância clínica.

Diagnóstico e exames

Ao contrário de outros tipos de cancro, não existe atualmente um programa de rastreio populacional para o cancro do pâncreas. O diagnóstico surge, na maioria dos casos, após a investigação de sintomas.

Os exames mais utilizados incluem:

  • Ecografia abdominal, muitas vezes o primeiro passo na avaliação
  • Tomografia computorizada (TAC), essencial para caracterizar o tumor
  • Ressonância magnética, que permite uma avaliação mais detalhada
  • Ecoendoscopia, que combina a endoscopia com imagem para observar o pâncreas de perto
  • Biópsia, necessária para confirmar o diagnóstico

Em pessoas com risco elevado, como aquelas que apresentam uma história familiar significativa, pode ser recomendada vigilância específica em centros especializados.

Tratamento e prognóstico

O tratamento depende do estádio da doença no momento do diagnóstico e quando o tumor é detectado precocemente, a cirurgia pode ser uma opção com potencial curativo. No entanto, muitos casos são diagnosticados já em fase avançada, sendo necessário recorrer a sessões de quimioterapia ou outros tratamentos para controlo da doença.

Apesar dos avanços na investigação, o cancro do pâncreas continua a ter uma taxa de sobrevivência mais baixa do que outros tumores, o que reforça a importância de reconhecer sinais precoces e fatores de risco.

A informação e a atenção aos sintomas são, neste contexto, fundamentais, pelo que, perante sinais persistentes ou alterações suspeitas, a avaliação médica atempada pode mesmo fazer a diferença num tipo de cancro em que o tempo é um fator crítico.

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