Cancro do pâncreas: IA pode detetar doença mais cedo, diz estudo

Uma nova ferramenta de Inteligência Artificial (IA) revelou-se promissora ao detetar cancro do pâncreas de forma precoce e antes de vários médicos. As conclusões foram apresentadas num estudo publicado na Gut.

Cancro do pâncreas: IA pode detetar doença mais cedo, diz estudo

De acordo com um novo estudo publicado na Gut, que faz parte do British Medical Journal, uma ferramenta de Inteligência Artificial (IA) mostrou-se promissora ao detetar de forma precoce o cancro do pâncreas, ainda antes de vários profissionais de saúde.

Segundo o The Mirror, a nova ferramenta testada dá pelo nome de Radiomics-based Early Detection Model (REDMOD). Através de tomografias computorizadas (TAC) a ferramenta conseguiu identificar 73% dos casos de cancro, com uma média de 475 dias antes de um diagnóstico clínico feito por um médico.

Cancro do pâncreas: Estudo promissor com IA

O estudo usou quase 1.500 exames de diversos hospitais. “É isto que acontece quando a adoção de IA é feita da maneira correta. Este não é um comunicado de imprensa impulsionador de IA sobre produtividade ou uma demonstração que falha na prática”, começou por dizer Colette Mason, uma das autoras do estudo.

Este é um estudo clínico avaliado por pares, validado em vários hospitais, testado diretamente com os profissionais que se destina a apoiar, com os próprios autores sendo claros e publicando o que ainda não pode fazer, em vez de criar expetativas exageradas."

Apesar dos resultados, os autores afirmam que serão necessários mais estudos para perceber os reais resultados desta ferramenta. “O REDMOD precisa de ensaios clínicos prospetivos em populações diversas antes de chegar aos doentes. Isto leva tempo, e para uma doença com uma taxa de sobrevivência de cinco anos e de apenas 8%, tempo é justamente o que as pessoas não têm.”

“O cancro do pâncreas mata mais de 90% dos pacientes em cinco anos, principalmente devido à deteção tardia. O REDMOD irá mudar isso na teoria. Um modelo que identifica o cancro cerca de 475 dias antes, com 73% de sensibilidade contra 39% dos radiologistas, não é um progresso insignificante”, explica Katrina Young, da KYC Digital.

Cancro do pâncreas. Os três sintomas precoces que jamais deve ignorar

O cancro do pâncreas é um dos tumores mais agressivos e difícil de diagnosticar precocemente, sobretudo devido à ausência de sintomas numa fase inicial da doença. Por outro lado, podem ser facilmente confundidos com problemas digestivos comuns, o que faz com que o diagnóstico seja tardio e afete a eficácia dos tratamentos.
 
Citada pelo jornal Daily Express, a médica Alexis Missick, do UK Meds, afirma os primeiros sinais de alerta são uma perda de peso inesperada e sem razão aparente, icterícia (olhos amarelados) e dores de costa ou de estômago. "Se der por si a perder peso  sem uma razão clara, como alterações na dieta ou no exercício, é motivo de preocupação", começa por alertar, explicando que esta perda de peso ocorre porque "o cancro do pâncreas pode afetar a capacidade do corpo para digerir os alimentos de forma adequada".

A médica acrescenta: "Se verificar que a sua pele e os seus olhos estão a ficar mais amarelos, que a sua urina tem uma tonalidade mais escura de amarelo ou laranja e que as suas fezes estão com um tom claro, este é outro motivo de preocupação. A icterícia ocorre quando o cancro do pâncreas bloqueia os canais biliares, afetando o fluxo da bílis".

"Se tiver dores de estômago ou nas costas que inicialmente surgem e desaparecem e que são exacerbadas depois de comer ou de se deitar, este é outro indicador precoce de um potencial cancro do pâncreas", refere também, sublinhando que "a dor torna-se mais percetível à medida que o tumor cresce".

Missick diz ainda que "os sintomas do cancro do pâncreas tornam-se normalmente visíveis quando a doença se encontra numa fase mais avançada, depois de o tumor ter invadido os tecidos circundantes ou de se ter espalhado para órgãos distantes. Esta é uma das razões pelas quais a deteção precoce do cancro do pâncreas é um desafio e porque é tão importante fazer exames de rotina". "O cancro do pâncreas é uma doença que tem de ser tratada com cuidado, especialmente se tiver fatores de risco como antecedentes familiares de cancro do pâncreas ou tabagismo", reforça.

A médica alerta para o facto de os sintomas do cancro do pâncreas poderem ser confundidos com a síndrome do intestino irritável, diverticulite, azia e refluxo, doença da vesícula biliar, dores musculares e úlceras pépticas. "É por isso que é crucial não tirar conclusões precipitadas, mas sim consultar um profissional de saúde quando estes sintomas surgem. Um diagnóstico adequado é a chave para distinguir o cancro do pâncreas de outras doenças", remata.

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