Cientistas descobrem a primeira pista para explicar porque é que 11 tipos de cancro estão a aumentar entre os jovens
Excesso de peso e obesidade podem contribuir para o aumento dos casos. Outros fatores de risco, como o tabagismo e o consumo de álcool, estão estáveis
Uma pesquisa de grande envergadura, citada esta quarta-feira pela BBC, revela que 11 tipos de cancro estão a tornar-se mais comuns entre os jovens em Inglaterra. E embora ainda não se tenha conseguido determinar com clareza a razão pela qual os índices estão a aumentar, o estudo revela que a tendência, observada há décadas, de aumento do excesso de peso na população provavelmente contribui para esse desenvolvimento, embora “esteja longe de ser a única explicação”.
Há anos que a razão pela qual o cancro tem vindo a aumentar em pessoas no final da adolescência, entre os 20, 30 e os 40 anos, intriga os cientistas. Cientistas do Instituto de Investigação do Cancro e do Imperial College London salientaram no âmbito da investigação citada pela BBC que, no entanto, a prevalência continua a ser rara e que todos podem reduzir o risco adotando um estilo de vida saudável.
Bradley Coombes, de Portsmouth, é um dos exemplos citados na reportagem da BBC. Tinha apenas 23 anos quando morreu de cancro do intestino e a sua mãe, Caroline Mousdale, disse que, apesar de apresentar muitos sintomas de alerta para o cancro do intestino, o seu filho era frequentemente ignorado por ser considerado demasiado jovem para ter a doença.
Embora fosse, diz a mãe, “um jovem em forma e saudável”, prestes a assinar um contrato de futebol semi-profissional e no seu primeiro ano na universidade, o rapaz começou a perder muito peso e a sentir dores no abdómen. Depois, surgiram diarreia e sangue nas fezes.
Foram necessários 18 meses de sintomas até ter sido diagnosticado e, quando foi submetido a uma colonoscopia, a cirurgia e a quimioterapia não conseguiram deter o tumor e Bradley acabou por faleceu.
Este é um dos exemplos citados no artigo como tendo intrigado os médicos. Assim, explica a BBC, uma equipa de cientistas analisou as tendências britânicas “tanto em relação ao cancro como aos estilos de vida, para ver se conseguia identificar algum padrão”, tendo demonstrado que, “para além do cancro do intestino, os cancros da tiróide, do mieloma múltiplo, do fígado, do rim, da vesícula biliar, do pâncreas, do revestimento do útero (ou endométrio), da boca, da mama e do ovário estavam a aumentar”.
“Os cancros do intestino e da mama são os mais comuns em adultos mais jovens, com um total de 11.500 casos por ano, enquanto os cancros do pâncreas e da vesícula biliar são muito mais raros” refere o texto, acrescentando que “apenas os cancros do intestino e do ovário estavam a aumentar exclusivamente nos jovens, com os outros nove a aumentarem também nos adultos mais velhos”.
Uma "resposta imperfeita"
O estudo analisou também padrões de comportamentos já conhecidos por aumentarem o risco de cancro. No entanto, revelou que os níveis de tabagismo e de de atividade física, o consumo de álcool e de carne vermelha e processada e as dietas pobres em fibras estavam a melhorar ou a manter-se estáveis no Reino Unido.
Todos estes comportamentos têm um papel no desenvolvimento do cancro, mas não explicam por que razão os casos de cancro têm aumentado. O relatório indicou que os únicos dados que se alinhavam com o aumento do cancro eram os níveis de excesso de peso e obesidade, que têm vindo a aumentar desde a década de 1990.
“Pensa-se que o tecido adiposo em excesso altere as hormonas no organismo, como a insulina, o que pode afetar o risco de cancro”, refere o texto da BBC, acrescentando, contudo, que “mesmo esta é uma resposta imperfeita”. Como exemplo, é referido o caso do cancro do cólon, no qual os investigadores estimam que, de cada 100 casos adicionais, 20 possam ser devidos ao excesso de peso, enquanto 80 continuam por explicar.
Os investigadores estimam que quase 40% dos cancros em todo o mundo possam ser prevenidos através de escolhas de estilo de vida, como não fumar. “É muito preocupante saber que os casos de cancro estão a aumentar entre os jovens”, afirmou à BBC Montserrat García Closas, do Instituto de Investigação do Cancro, sublinhando ainda que “há medidas que podem ser tomadas para reduzir o risco através de um estilo de vida saudável — por exemplo, praticar atividade física e manter um peso saudável”.


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