Serão os nossos traumas a escolherem os nossos parceiros?
abias que os traumas emocionais podem influenciar as tuas escolhas amorosas?
Não se trata apenas de “má sorte no amor” ou de “gostar das pessoas erradas”. A infância ou relações anteriores podem ter um impacto profundo na forma como nos ligamos aos outros.
Sofrer de negligência ou abuso em criança pode desenvolver formas de apego menos seguras, afetando a percepção dos parceiros e a dinâmica dos relacionamentos.
Sem nos apercebermos, acabamos por repetir padrões que já nos magoaram. Não porque queremos sofrer, mas porque reconhecemos esses padrões como familiares, ainda que não sejam saudáveis.
Desta forma, a nossa infância molda a forma como nós olhamos o presente, e como vemos e queremos relacionar-nos com os outros.
Mas então estaremos “condenados” a repetir esses padrões?
A boa notícia é que não!
Muito embora seja difícil, por vezes, entendermos estes padrões, através da terapia conseguimos ganhar consciência destas dinâmicas. E para isso temos de mergulhar um pouco no nosso “mar” interior que está cheio de ondas só nossas!
Precisamos de descobrir o que estas ondas dizem sobre nós, ao mesmo tempo que, nos permitimos sentir e dar nome ao que se está a viver. Isso ajuda-nos a compreender melhor o que se passa connosco e a lidar com estas ondas de forma mais saudável.

Quando ignoramos ou reprimimos emoções como a tristeza, a raiva ou o medo, essas emoções não desaparecem, pelo contrário, tendem a ganhar força, a acumular-se no corpo e a afetar-nos mais do que gostaríamos.
Às vezes, o que vemos é só a superfície. Cada pessoa carrega histórias, contextos, memórias e batalhas silenciosas que moldaram quem ela é hoje.
Como tal, é possível que, além de nós, a pessoa que escolhemos também tenha os seus próprios traumas.
Casais em que ambos viveram traumas tendem a enfrentar mais desafios na comunicação e na gestão emocional, mas também podem desenvolver relações com maior empatia e apoio, desde que exista consciência e acompanhamento psicológico.
Na psicologia, olhar para além do óbvio é essencial. Compreender o mundo que construiu a pessoa é o primeiro passo para acolher, apoiar e transformar.
Por Gonçalo Sardinha – Equipa Sílvia Dias


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